Projeto permanente de troca de livros no ITB Belval incentiva a leitura e o desapego
24/03/2017 - 17h33

Destinado a toda comunidade escolar, o projeto é permanente e aceita livros técnicos e de literatura infantojuvenil em bom estado de conservação

Cada vez mais os livros extrapolam as paredes das bibliotecas e os nichos das prateleiras para ganharem o mundo através dos olhos de novos leitores. A ideia de que o conhecimento precisa ser compartilhado pode crescer muito a partir do simples ato de oferecer a outro um livro que você já leu, assim como a experiência única de ser encontrado por um livro especial.

As chances disso acontecer se tornaram bem maiores no ITB Brasílio Flores de Azevedo, do Jd. Belval, mantido pela FIEB, desde o começo deste ano, quando a escola criou o projeto Troca de Livros.

Uma mesa com os mais diversos títulos fica disponível, logo na entrada da escola, para quem se interessar. A proposta é que se deixe um livro para pegar outro, criando, assim, uma rotatividade cultural.

A ideia partiu da equipe da área de linguagens durante a Semana de Liberdade e Auteridade, evento relizado pela escola, mas tornou-se permanente a partir deste ano.

“Cada área deveria contribuir com alguma ideia inovadora de compartilhamento de conhecimento e a nossa área resolveu fazer a troca de livros”, esclarece a professora de Língua Portuguesa e Coordenadora da área de linguagens do ITB Belval, Rosangela Barros Garcia.

O projeto é voltado a alunos e funcionários da unidade e também incentiva a responsabilidade dos jovens, já que não há ninguém monitorando as trocas, eles é que seguem as regras, à vista no centro da mesa. “Todos têm acesso e como nós temos um pouco de estoque de livros que foram doados, eu vou renovando, colocando outros títulos lá pra não ficar sempre a mesma coisa, despertar a curiosidade do aluno e a responsabilidade também de trocar”, diz Rosangela.

Como a rotatividade dos livros tem sido grande, fica evidente o sucesso do projeto. Prova disso é a aluna Mariane Albino Zacarias Santana, do 3º ano de Edificações, que já aderiu à troca duas vezes desde que as aulas começaram.

“Eu achei muito bom porque se você já leu algum livro e quer trocar por outro é interessante, o livro não fica só pra gente, dividimos o que conhecemos com outras pessoas”, declara Mariane, que completa: “a gente vê uma coisa que nunca tinha visto”.

Praticando o desapego

Além do incentivo à leitura, a iniciativa também reforça a cultura do desapego. Ainda é muito comum que as pessoas mantenham em casa livros que não irão mais ler por puro sentimento de posse, mas quando se trata de leitura, o compartilhamento é ainda mais valioso.

“Temos que desapegar mesmo dos livros porque são palavras, a gente tem que passar as palavras pra outras pessoas e as páginas tem que ser compartilhadas, passar o conhecimento para as pessoas. Geralmente a gente se apega muito aos livros porque gostamos muito daquele conhecimento, mas do que adianta se você não passar pra ninguém aquilo?”, desabafa Mariane.

Para a professora Rosangela, essa é uma das grandes lições do projeto. “Eu acho maravilhoso como um incentivo à leitura, como um exercício de desapego, porque muitas vezes a gente gosta de um livro, não quer se desfazer e fica lá parado na prateleira, então é um exercício de desapego e de generosidade também. Se eu gostei, outra pessoa também pode gostar, também pode se emocionar”, finaliza.

Regras

Podem ser trocados livros técnicos e de literatura infantil e juvenil. Não são aceitas publicações do Programa Nacional do Livro Didático, bem como livros do professor ou de outras bibliotecas. Antes de realizar a troca, os alunos são orientados a se questionarem quanto ao estado de conservação do livro que estão doando e sua utilidade a outrem.