Professor Camarotto, da FIEB, faz história no Judô
19/04/2017 - 15h53

Neste mês de abril, mais uma medalha de ouro entra para a coleção do professor, que há 46 anos pratica o esporte

“O Judô pode ser resumido como a elevação de uma simples técnica a um princípio de vida”. A frase, atribuída ao fundador dessa arte marcial, Jigoro Kano, resume bem o papel do esporte na vida do professor José Anastácio Camarotto, faixa preta IV Dan.

Para ele, o Judô é “uma terapia, uma forma de cultivar as amizades, é um princípio de vida”. O professor conta que as regras do bushido, código de conduta e modo de vida dos Samurais, que quer dizer “caminho do guerreiro”, fazem parte de sua rotina.

“A gente tem o código de honra, toda uma colocação de cultura que no Brasil, normalmente, não se leva em consideração e o japonês dá muito valor. O judoca aprende a viver desse jeito, respeitando os colegas. Na competição, ganhando ou perdendo você cumprimenta seu adversário. Isso se leva pra vida, é um exercício de cidadania que se aprende dentro do tatame”, afirma Camarotto.

Bastante conhecido em Barueri, onde, inclusive, deu aulas de Judô no Grêmio Recreativo Barueri (GRB), Camarotto também lecionou por muitos anos na Fundação Instituto de Educação de Barueri (FIEB), onde chegou até se aposentar. Como não sabe parar, agora voltou a ministrar aulas em uma de suas áreas de formação, como professor de Biologia no Curso Preparatório para Vestibulares (CPV) e no Ensino Médio da Escola Maria Theodora, ambos mantidos pela  FIEB.

Hoje com 61 anos, faz história no Judô, esporte que pratica desde os 15, e acaba de trazer mais uma medalha de ouro para sua coleção: foi campeão da Copa São Paulo de Judô, na categoria veteranos, que aconteceu no dia 2 de abril em São Bernardo do Campo.

“É um campeonato interestadual que serve como seletiva entre os veteranos para ver quem vai representar o Brasil no campeonato mundial de Judô. Eu já fui em 2002, peguei 3º lugar no mundial. É um campeonato patrocinado pelo governo do Estado de São Paulo junto com a Federação Paulista, mas recebe atletas da Venezuela, da Argentina, do Uruguai e vêm oito estados do Brasil e nesse eu consegui a vitória”, explica Camarotto.

São muitas as conquistas no Judô. Camarotto foi duas vezes campeão brasileiro, 3º lugar no campeonato mundial da Irlanda e acumula mais de oito medalhas de 2º e 3º lugares – cada - nos campeonatos brasileiros, dentre outras conquistas. Sua meta deste ano é vencer o campeonato paulista, no qual nunca conquistou o 1º lugar, apenas o 2º e 3º.

“Eu ganhei o brasileiro mas não ganhei o paulista. O campeonato paulista é o mais forte do Brasil, mais do que o brasileiro, porque nesse você pega um atleta de cada estado e, normalmente, os cinco mais fortes do Brasil são de São Paulo”, detalha o judoca, que completa: “Este ano eu vou tentar ganhar o paulista”.

O Judô, conforme diz, é o que mantém seu corpo e sua mente sadios e ativos. “Na minha época de atleta de competição eu ia pra ganhar campeonato, agora eu vou pra manter a saúde, o organismo funcionando, a cabeça em ordem. O pessoal fala que professor, quando chega aos 20 anos de sala de aula, fica meio louco, eu já dou aulas há 36, então já devia estar. É pra manter a cabeça e o corpo funcionando”, diverte-se.

Atualmente, o professor Camarotto treina em Osasco, onde também dá aulas. Nesses 46 anos como judoca, só parou por três anos, quando estava cursando sua quarta faculdade, fora isso, sempre treinou regularmente. No final deste ano fará exame para V Dan.