Perspectivas para o futuro é tema do II Simpósio FIEB de Educação
14/05/2018 - 16h12

Evento realizado no último fim de semana contou com mais de 10 horas de palestras e mesas redondas com profissionais do setor educacional e do Direito

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Realizada entre os dias 11 e 12 de maio, a segunda edição do Simpósio de Educação da Fundação Instituto de Educação de Barueri (FIEB) reuniu educadores, gestores públicos, estudantes e simpatizantes da área. Com o tema “Educação e Políticas Públicas: perspectivas para o futuro”, o evento ofereceu mais de 10 horas de informações com palestras, mesas redondas, conferências e, principalmente, de troca de experiências entre os participantes. 

Antes das falas dos primeiros convidados, o superintendente da FIEB, Luiz Antonio Ribeiro avaliou a realização do simpósio como uma grande vitória da entidade. “É uma experiência que nos gratifica e agrega valores. Confesso que é mais um sonho realizado. Tenho certeza que esse evento vai nos acrescentar boas informações e agregar conhecimentos, além de permitir formarmos as futuras gerações”, afirmou.  

Ousadia e oportunidades
A abertura ficou a cargo do prefeito de Santana de Parnaíba, Elvis Cezar e do secretário de Educação do município, Clecius Romagnoli, para falarem sobre a municipalização do ensino médio. Conforme os gestores, o objetivo da administração é garantir que todos os alunos do ensino médio tenham acesso ao ensino superior até o ano de 2020. Para Elvis, é preciso ter metas ousadas na educação. “Nos últimos quatro anos, avançamos 32% no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) com aperfeiçoamento em todo o processo educacional dando oportunidades aos professores e valorizando-os constantemente”, disse. 

Base Nacional Comum Curricular da Educação 
No segundo dia do simpósio, um dos grandes destaques ficou por conta da palestra da socióloga Maria Helena Guimarães que já atuou como secretária-executiva do Ministério da Educação. Sua contribuição foi focada na defesa da Base Nacional Comum Curricular da Educação (BNCC)

A socióloga destacou a estrutura da BNCC e avalia que é preciso pensar a educação no mundo contemporâneo. Para ela, é essencial que se deixe um modelo educacional único para adotar um modelo sintonizado com o sistema de ensino no mundo e que seja mais flexível e interessante para os alunos. Com a nova formatação, os estudantes têm a chance de escolher a grade curricular para 1.200 horas de aulas. “Tudo se transforma, mas estamos realmente preparando os alunos para esse novo mundo? ”, questionou. 

Investimentos
Ainda no segundo dia do simpósio, o painel “Prática Pedagógica: Como materializar políticas para infância na educação” foi ministrado pela diretora do Instituto Sidarta, Cláudia Siqueira. Entre os pontos abordados, ela alertou para a necessidade de investimento em formação de professores da primeira infância e avaliou a fragilidade de programas de formação desses profissionais. “Deveríamos investir em formação para quem está na base, berçário e educação infantil. Numa situação salarial, um professor de ensino médio ganha mais que um professor de creche”, exemplificou. 

Visão do Judiciário
Outra mesa redonda que prendeu a atenção dos participantes foi a que abordou a atuação pública nos principais dilemas da infância e adolescência, ministrada pelo doutor Fábio Calheiros do Nascimento, juiz de Direito da 2ª Vara Criminal da Infância e Juventude da Comarca de Barueri/SP e pela doutora Presciliana Giovana Guerra Mitrano, médica especialista em infância e adolescência em situação de vulnerabilidade social. 

Em sua fala, o juiz destacou as limitações do judiciário com a política pública. Na opinião do magistrado, a visão que se tem sobre o assunto no Direito é um pouco fechado, seja na Constituição ou nas leis que regulam o sistema. Para ele, o profissional do setor não está habituado a lidar com políticas públicas. “O STF, por exemplo, fala que creche é direito de todos e ponto final. Mas isso é impossível porque, [os municípios] vão apenas colocando crianças dentro da aula, e isso não é educação. Não conheço um município que tenha vagas suficientes, então, não há solução. Mas a visão do Direito é objetiva e ponto final”, salientou. 

Outros Participantes
O II Simpósio FIEB de Educação também contou com a presença de Eduardo Marino, diretor do Conhecimento Aplicado da Fundação Maria Cecília; dos professores Celso Goyos e Giovana Escobal, do Instituto Lahmiei Autismo Departamento De Psicologia (Ufscar), de São Carlos/SP; dos professores Rogerio de Almeida e Marilene Proença, respectivamente do Departamento de Educação e do Departamento de Psicologia Escolar da USP, e da pesquisadora de Pós-Graduação PUC Campinas, Vera Lucia Trevisan de Souza.