Entrevista - Jogador Fernando Careca
30/11/2017 - 14h45

“Guardo muitas experiências da FIEB”, relata goleiro da seleção de Futsal da seleção brasileira e do Corinthians, Fernando Careca que foi estudante da Fundação Instituto de Educação de Barueri (FIEB) no ensino médio. Em entrevista à Instituição, ele fala de seu período na unidade Maria Theodora e destaca sua trajetória no esporte. “Vivi muito intensamente na FIEB”, relata o jogador.

FIEB: Conte-nos um pouco mais sobre o período que estudou na FIEB.

Fernando Careca: Eu acabei “caindo” na FIEB, já praticava Futsal e treinava todos os dias à tarde e no outro colégio ia começar integral. O horário ficaria mais tarde e eu não conciliaria com o esporte. Comecei a ver com meu pai as escolas mais próximas e a gente decidiu vir para a FIEB. Vim para cá porque conseguia conciliar os horários, cheguei em 2005 no segundo colegial, estudei o segundo e o terceiro. Ainda não tinha os Cursos Técnicos, era só colégio mesmo. Me formei, fiz grandes amigos que tenho até hoje e guardo muitas experiências. Vivi muito intensamente aqui.

FIEB: O seu período na FIEB ajudou a fortalecer o amor pelo esporte?

Fernando Careca: Eu já praticava o esporte há bastante tempo, joguei no Grêmio Recreativo Barueri (GRB) em 1995 e na FIEB tinha uma galera que gostava de futebol também. A gente criou o Campeonato do Intervalo, eu, o Gustavinho, o Luquinha, e fiquei feliz em saber que existe até hoje, que é mais potencializado. Foi uma sementinha que a gente plantou lá atrás, e é uma coisa bacana porque une as salas, tem a interação e o trabalho coletivo e cria o sentimento de competição entre o adolescente, o que é muito importante. Nada melhor do que o esporte para mostrar o que significa a competição. Se você não trabalhar pelo resultado, alguém irá e vai comemorar. Acho que a vida é isso.

FIEB: E como surgiu seu gosto pelo Futsal?

Fernando Careca: Hoje em dia tem muitas quadras de Futebol Society, na época não tinham muitas, mas comecei brincando na rua. Eu tenho Alopecia, que é a falta de pelos, e é um problema genético que se manifesta por distúrbios psicológicos. Quando eu tinha dois anos, um cachorro me atacou e começou a cair os meus pelos. Quando entrei na escola com seis anos caiu tudo. Só que na escola eu fazia acompanhamento psicológico e sugeriram para eu praticar esporte. Eu não era maduro naquela época, era uma coisa nova que poucas pessoas têm, ainda mais quando se é criança, e o esporte foi uma válvula de escape nesse quesito. Quando eu jogava bola na rua ou entrava numa quadra, era igual a todo mundo, mas eu só queria saber de futebol, vivia futebol e hoje em dia vivo disso. Só que lá começou por conta disso. Desde então fiz o GRB, passei por peneira, e aí começou toda história.

FIEB: Como foi seu ingresso no Corinthians? É inegável que clube proporcionou a você uma ascensão profissional.

Fernando Careca: Eu tive idas e vindas no Futsal. Saí da FIEB, entrei no Mackenzie com bolsa, estudei e me formei em Ciência Contábeis por lá. Sempre levava uma vida paralela com esporte e escola. Quando me formei na faculdade, o time que eu jogava em 2011 não me dava oportunidades e acabei optando em parar e voltar para casa no meio da temporada e estudar porque tranquei a faculdade e queria voltar a estudar e trabalhar com meu pai em seu escritório de Contabilidade. Eu formei, trabalhei, nem pensei que voltaria a jogar bola um dia, só jogava campeonatos de várzea e em algum deles jogam pessoas federadas e profissionais. Jogando ali eu me destacava um pouco e o sentimento voltou a florescer. Estando formado, eu estava mais equilibrado. Conheci o zelador do ginásio de Barueri, conversei com ele para fazer treino específico de goleiro porque jogava com caras que treinavam todos os dias, eu só fazia academia e dava uma corrida. Queria treinar um pouco mais para estar ganhando dos caras e ele abriu as portas para mim. Fui me destacando na várzea até que surgiu o convite de Mogi das Cruzes. Eu conseguia conciliar o escritório com o time, mas era muito longe. De Jandira, onde moro, para Mogi Mirim são 90 quilômetros, mas eu abracei, fiz uma loucura, andava 180 quilômetros por dia para ir e voltar e ainda trabalhava no escritório sem ter certeza se iria rolar alguma coisa, tudo por amor ao esporte e por querer participar. Aí eu tive um ano de 2014 muito bom no Mogi e, no final do ano, - lembro até a data - em 10 de dezembro, por volta das 9 horas da manhã, o treinador de goleiro do Corinthians me ligou fazendo a proposta para integrar o time, eu nem escutei a proposta direito e já falei que estava dentro e estou com o Corinthians até hoje.

FIEB: Em sua carreira como goleiro do Corinthians, acredita que o título de 2016 foi o mais importante de sua trajetória?

Fernando Careca: O ano de 2016 foi especial porque o Corinthians vinha com um histórico de perder semifinais de Liga, foram seis anos seguidos, se não me engano. Cheguei lá em 2015, perdemos para a Inter na semifinal, foi o terceiro ano consecutivo que perdeu. O ano anterior também foi duro, tomou gol faltando um segundo, e o time de 2016 foi montado meio desacreditado. No decorrer do ano fomos ganhando forças e nos consagramos campeões na Liga. Foi marcante demais por tudo que aconteceu, por todo enredo que aconteceu durante o ano, e a gente chegar e levar o título foi muito bom. Ser campeão é muito bom, mas ser campeão pelo Corinthians, só vivendo essa experiência para dizer. Não tem como explicar.

FIEB: Por falar em marcante, tem a seleção brasileira. Conte para a gente essa experiência e a sensação de vestir essa camisa.

Fernando Careca: No ano passado tive oportunidade de jogar o Mundial Universitário. Fomos campeões mundiais vencendo a Rússia na final em Goiânia por 2 a 1. Na seleção estamos representando nosso país e foi muito bom, ainda mais ser campeão mundial. Nesse ano a gente tinha perdido a final do Paulista, tinha caído fora da Liga, não foi um ano muito bom em termos de resultado, mas foi em termos de aprendizado, o que foi excepcional para mim. Eu estava fazendo academia, esperando para ver o contrato, quando o supervisor da seleção ligou para mim falando que ia ter uma lista de convocação e meu nome estaria presente. Aí eu me emocionei todo, só que ele disse para não contar para ninguém. Era a mesma coisa que ir para a Disney e só poder andar no carrossel, sendo que tem montanha-russa e tudo o mais. Não podia contar para ninguém. Quando a lista saiu, o telefone não parava de tocar, com muita gente feliz. Mas só meu pai e minha mãe sabem o que passei com muito esforço e sacrifício para chegar lá na seleção. Não sei nem se mereço tanto, mas agora que fui e gostei, não quero sair nunca mais e vou trabalhar muito duro. Foi uma experiência sensacional jogar ao lado daquelas feras todas e representar o país. O esporte é diferente de outras profissões porque em empresa você vai sendo promovido, mas não tem aquele ápice, e no esporte tem a seleção brasileira, talvez o mais difícil seja se manter lá.

FIEB: Fernando, obrigado pela entrevista, agora deixe um recado para a juventude que te acompanha.

Fernando Careca: O que eu costumo dizer para toda garotada é que o mundo tem espaço para todos, independentemente se você é careca ou cabeludo, se é quieto ou bagunceiro, o mundo tem espaço para todas as pessoas, então, a gente tem que perder medo das coisas, viver intensamente e sempre pensar em fazer o bem e passar uma informação boa para o próximo e desenvolver aquela pessoa que está ao seu lado e respeitar, principalmente, sua família. São essas pessoas que vão ficar ao seu lado e o mais importante é saber com quem você anda, saber os seus limites e o que abdicar. A gente fala de disciplina, de foco, como foi chegar à seleção, mas o que vale do foco é saber do que você tem que abrir mão para chegar lá. Foque no dia a dia que o resultado vai vir com o tempo.