Alunos da Maria Theodora participam de estudo do meio em fazenda de café
11/04/2017 - 11h13

Saída pedagógica abordou aspectos práticos e históricos do café, além de proporcionar a experiência de passar um dia inteiro em um local de natureza exuberante e rico em sabores típicos

O Brasil é o maior produtor de café do mundo, responsável por 30% do mercado internacional. O país também é o segundo maior consumidor desse que já foi chamado de ouro preto, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Por aqui, em terras tupiniquins, o café foi a principal riqueza durante quase um século.

Esse tema está começando a ser abordado nas aulas de História do 5º ano da EEFMT Profª. Maria Theodora Pedreira de Freitas, de Alphaville, mantida pela Fundação Instituto de Educação de Barueri (FIEB). No dia 5 de abril um estudo de meio foi organizado pela escola para complementar o aprendizado.

Os alunos foram levados à Fazenda Nossa Senhora da Conceição, na cidade de Jundiaí, que possibilita às crianças vivenciar esse período tão importante da história nacional. O local atende perfeitamente o objetivo dos estudos de meio, pensados, justamente, para inserir o estudante em um ambiente que remeta a uma época ou situação, além de proporcionar a interdisciplinaridade, enriquecendo ainda mais o aprendizado.

Lá, além de ver de perto o cafezal, os jovens aprenderam desde o cultivo do fruto até sua importância econômica, tudo explicado com esmero pela equipe de monitoria da própria fazenda.

Divididos em turmas, desbravaram o local em etapas. Aprenderam sobre a planta, o solo e o tratamento necessário, já que o café é bastante exigente no que tange o cultivo. Os alunos tiveram a oportunidade de semear e até plantar uma muda no cafezal que foi todo formado por estudantes que por lá passaram.

A seleção de grãos e o que torna um café mais nobre do que o outro também fez parte do aprendizado. Os estudantes viram de perto como funcionava o processo de torra, transporte, pesagem, lavagem etc. no passado e como é feito hoje, já que a Fazenda Nossa Senhora da Conceição ainda prepara e vende café do tipo arábica aos visitantes.

Foi possível passear por entre arbustos das mais variadas espécies de café e ver a diferença de um grão para o outro, visitar antigas estalagens já ocupadas por escravos e saber mais da rotina deles naquele local. O período da imigração também foi bastante abordado, com direito a conhecer de perto e por dentro a casa dos antigos colonos italianos, a escola que os filhos dos imigrantes frequentaram e muito mais, tudo cuidadosamente preservado.

A visita à casa grande, onde vivia o Barão de Serra Negra e sua família e também por onde já passaram importantes figuras históricas, como o Imperador D. Pedro II e sua esposa, a Imperatriz Dona Thereza Christina, o Conde D´Eu, a Princesa Isabel, dentre outros, foi uma etapa importante do estudo de meio. Os alunos puderam adentrar à casa, conhecer os cômodos, objetos, móveis da época e até vislumbrar presentes trazidos pela Família Real.

Marcelo Rebouças Cardoso dos Santos, um dos coordenadores da monitoria da fazenda, explica que a visita é toda pensada para proporcionar o melhor aproveitamento por parte dos estudantes. “A gente divide, mais ou menos, em dois períodos: um é essa produção - plantar, lavar, colher, as maneiras que eu tenho de fazer isso, essa parte produtiva -, que leva o meio do dia, e essa parte mais histórica, que se estende até o final da visita”, detalha.

O estudo proporcionou mais do que aprendizado, mas experiência. As crianças passaram um dia inteiro em meio a natureza exuberante e provaram sabores típicos da fazenda, já que tiveram café da manhã, almoço e café da tarde característicos e bastante fartos.

Para a aluna do 5º ano C, Sophia Maciel, aprender em um local como esse foi bastante satisfatório e, segundo ela, facilita em muito o aprendizado em sala de aula. “A gente aprendeu bastante sobre o café, como é feito, como é plantado. Estudando aqui, depois fica fácil de lembrar”, diz a jovem. Para ela, o momento mais interessante do passeio foi quando eles plantaram a muda de café. “Eu já tinha plantado feijão no potinho e fui plantar café na terra agora. Aprendi quantos anos ele fica ali para crescer e foi muito legal”, comemora Sophia.

Ao chegarem na escola, cada um dos alunos participantes do passeio recebeu uma muda de café para plantar onde quiser.

Cenário de muita história

A Fazenda Nossa Senhora da Conceição, localizada em Jundiaí, tem mais de 200 anos. Ela remonta a 1810 e pertenceu a Francisco José da Conceição, o Barão de Serra Negra, dono de várias fazendas na província de São Paulo.

Quando iniciou suas atividades, a fazenda era dedicada ao cultivo de cana-de-açúcar. Mais tarde, chegou a contabilizar cerca de 350 mil pés de café.  Nessa época, possuía 120 escravos que se ocupavam em uma extensão de terras de três mil alqueires.

Logo após o fim da escravidão, em 1882 começaram a chegar os primeiros imigrantes italianos que, motivados pelo clima da região, implantaram a vinicultura, criando um novo ciclo na história da fazenda. Essa nova cultura ganhou ainda mais força depois da queda do preço do café na Bolsa de Nova York, levando a Fazenda Nossa Senhora da Conceição a se tornar uma das maiores produtoras de uva e vinho do Estado de São Paulo.

Até hoje a fazenda pertence à família do Barão. Desde o ano 2000 ela se dedica ao turismo cultural, resgatando a história do ciclo do café, da imigração e da escravidão, ricamente contadas por meio das construções preservadas, documentos e fotos da época que podem ser vislumbrados em vários pontos do local.

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